domingo, 13 de março de 2011

Conto de Solidão



Essa noite... foi terrível. Deitei na minha cama, desliguei a televisão, o abajur, e fechei meus olhos pra dormir. Não consegui. Peguei meu celular, meu fone de ouvido e comecei a escutar minhas músicas. Dentre a escuridão da noite, a tua imagem começava lentamente a se materializar na minha frente. Começava pelos cabelos escuros, uma pele clara e delicada, sobrancelhas bem desenhadas, olhos castanhos de gueixa, boca esculpida em Carrara, rosto de traços retos, corpo perfeito como a estátua de uma deusa mitológica. Fiquei ali um bom tempo, ouvindo as maiores melodias de amor enquanto imaginava você comigo, nos campos verdejantes.

Abracei meu travesseiro e fechei bem os meus olhos. Só vinha você na minha cabeça. “Eu só vivo pensando em você, é sem querer, você não sai da minha cabeça mais. Eu só vivo acordado a sonhar, imaginar nós dois. Ás vezes penso ser um sonho impossível uma ilusão terrível.” Enquanto esse refrão tocava, uma lágrima escorreu dos meus olhos, minha boca se curvou para baixo e outra lágrima escorreu. Te segurei com força em meus pensamentos, mas você se foi.

Concluí que só te terei pela noite, nas minhas músicas, no meu quarto, na minha escuridão. Concluí que fará sempre parte de mim a imagem que projeto de ti todas as noites, que sempre me atormentará, me trará desejos, rumores, esperanças e tremores. Há mais de dois anos moras em minha mente. Pode ser que existas no meu mundo real, mas não consigo me conformar com isso. Sendo minha própria criação, és o sinônimo do que chamam de solidão. Quem sabe tudo isso acabe, quando eu resolver dormir minha mente para poder acordá-la em um mundo onde o meu coração me permita ter novamente o que me foi tomado, o prodígio de amar.

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