terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Juntos Até O Fim


Lembro como se fosse ontem o dia do nosso casamento. Todos os nossos parentes e amados amigos; pessoas que nos queriam tão bem. A nossa união era linda, nos amávamos demais. Que bela cumplicidade e carinho que tínhamos. Ainda quando amigos, já esboçávamos um carinho especial, uma atenção maior entre nossos corações. Fitávamos um ao outro por tempos e tempos; até que disse que te amava. Numa explosão de felicidade me beijaste e disseste que seríamos felizes para sempre. Eu acreditei.

Depois disso, passou um breve namoro, um longo noivado e então realizaste teu sonho de adentrar à igreja toda de branco, com véu e grinalda, guiada pelo teu pai que, muito emocionado, entregava o seu maior tesouro a mim. Aquela menina que eu havia conhecido há anos e que hora sonhava em namorá-la, agora se casava comigo. Relutante às lágrimas que teimavam em escorrer em sua face, seu pai olhou nos meus olhos e disse para que cuidasse bem de ti. Respondi com um sorriso nervoso que jamais sairia do seu lado, por qualquer circunstância, e jurei que te faria a mulher mais feliz e amada do mundo. Olhava ao teu rosto enquanto todos os convidados sorriam pela nossa felicidade e outros puxavam um lenço do bolso para enxugar a emoção. Quando pus a aliança, prova de nosso amor e fidelidade, e te beijei, sabia que ficaríamos juntos até o fim.

Depois vieram nossos filhos, a herança do amor por nós compartilhado. Primeiro veio aquele garotão esperto como o pai e quatro anos depois uma garotinha linda e doce como a mãe. Educamos os nossos filhos com tanto esmero que não poderiam ser melhor do que são hoje. Dedicados, responsáveis e tão amáveis. Era tanta felicidade nos 35 anos de casamento que completamos em abril, que foi a data escolhida pelo nosso filho para dizer que seríamos avós. Eu não queria mais nada, tinha a vida que qualquer homem pudesse desejar. Uma esposa espetacular que me amava muito, dois filhos bem criados e uma vida confortável. Mal sabíamos a notícia que estava por vir.

Depois de algumas reclamações e umas consultas médicas, foste diagnosticada com um tipo agressivo de câncer. O que nos foi falado golpeou o estômago. Tu, mesmo abalada, tentavas desconversar, não pensar em nada, apenas focar no tratamento com a esperança da melhora. Eu, devastado, não podia pensar em te perder. O tempo foi passando e os tudo que fazíamos era quase em vão. O médico me dizia coisas que eu jamais queria ouvir, mas mesmo assim, tentava me fortalecer para te dar todo o apoio necessário. Por várias vezes chorava quando não estavas perto, só por pensar que o meu anjinho poderia ir para o céu. Nossos filhos nos apoiavam e consolavam. Nosso neto havia nascido, mas infelizmente não conseguia me alegrar te vendo debilitada. Nas incertezas dos procedimentos, me sentava ao lado da cama, numa cadeira, e enquanto dormias, ficava te observando e lembrando de todos os nosso momentos felizes juntos, da nossa vida.

Numa terça-feira cinzenta, vi o principal motivo das minhas alegrias, a minha fonte de inspiração, a minha tão amada mulher partir. A última pétala de sua virtuosa vida havia caído. A mulher que eu me entreguei, aquela que eu amei, confiei, aquela que me fez feliz, me deixara num vazio imenso. Parte do meu coração foi contigo. Havia perdido o meu maior tesouro. Peço a Deus todos os dias que me leve logo, para perto de ti. Todos os nossos retratos perderam a cor, as flores da minha alma murcham cada dia mais. Apesar de tudo, digo que fiquei contigo até o fim e te amei até o teu último segundo. Não sei por quanto tempo mais ficarei aqui, assim. Espero que seja por pouco tempo e que, em breve, me encontre contigo num campo coberto por lavandas, para que possamos nos amar eternamente, sem o risco de nada nos separar jamais.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Eu e Você




Estávamos sós. Eu, você uma tarde chuvosa. Enquanto assistíamos a um de nossos filmes preferidos, recostavas tua cabeça no meu ombro e o teu corpo se encaixava ao meu. Acariciei teu braço e dei um leve beijo no seu rosto. Te segurava firme para que ninguém te roubasse de mim. Imaginava comigo que era o cara mais sortudo do mundo por ter o amor de uma garota tão perfeita. De repente começaste a rir, sem algum motivo aparente. Te indaguei o porquê e dissestes que tinhas lembrado da nossa ultima viagem, na qual aconteceu comigo o que não ouso nem pensar! Beijei-a novamente e com um olhar profundo nos olhos repetiste que me amavas muito. Prova disso viria logo depois.

Com um ano desde o nosso primeiro contato eu ainda não te conhecia por inteiro. Sonhava em poder amar cada parte do teu corpo. Ambos leigos àquela situação, jamais poderia prever tal momento mágico, mas a ansiedade tomava conta de mim. Nossas peles diferentes misturar-se-iam como contrastes essenciais da vida. Éramos vitais um à vida do outro. Não escondia a satisfação de gastar contigo aqueles minutos preciosos da minha vida. O contato de nossos braços e pernas me faziam bem. Cheirava os teus cabelos com aroma de xampu suave enquanto te fazia um cafuné, no qual a minha mão ia desde o início da tua testa até o fim da tua nuca. Apertava meus polegares sobre teus ombros relaxados e a palma da minha mão deslizava delicadamente sobre teus antebraços. Beijei-te na nuca E respirei fundo para sentir o teu perfume. Seguraste meu braço firme e me agradeceste com um longo suspiro. Te abracei forte num angulo perfeito, no qual meus braços quedavam-se sobre os teus e encaixavam perfeitamente nos teus seios. Suspiraste novamente. Ergueste a cabeça à mim e me beijaste como da primeira vez que nos vimos. Com tanto calor e tanta tranqüilidade; com redenção e cumplicidade.

 Recostamo-nos às almofadas num movimento único e uniforme, num sincronismo que só o amor verdadeiro pode ter. Viraste para mim e disseste: te amo. Respondi com um sorriso seguido de um beijo terno. Coloquei teu cabelo para trás da orelha e não parava de acariciar o teu rosto, tocando a tua irresistível pele macia. Ficamos nos olhando com sorrisos bobos no rosto durante um bom tempo. Pus meu braço nas tuas costas e te segurei firme. Entrelaçamos nossas pernas. Neste momento, nos tornamos um só.