Amor Crônico
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Divagação Sobre A Mar-é
Mais do que amar,
Quero ver o céu e o mar
E sentir,
Algo que jamais pudesse ouvir,
Toda a energia emanada pelo mundo.
Sentir o vento soprando minha pele
Ouriçando meus pêlos,
Bagunçando meu cabelo,
E me botando um sorriso no rosto.
Sentir a natureza e sua energia
Sua sabedoria
Ensinando-me sobre ela
E aprendendo mais sobre eu mesmo.
Se fruto dela sou
É a ela que me dou
Recebendo de volta - incondicionalmente,
A sombra da árvore,
Na brisa do mar
À sua areia.
Sobre tudo que devo ser, não sei
Só sei que tenho de me conhecer,
Olhar para dentro de mim,
Amar-me
Respeitar-me
Sem subestimar-me
Ou sobrestimar-me.
Em suma, viver é simples:
Basta amar-se e
Amar ao próximo.
Emanar seu amor ao mundo,
Vivendo a cada segundo
Como a brisa e a maré.
Então, enquanto o vento sopra,
Saberás o quão bom amar é.
sábado, 19 de outubro de 2013
Mulher Platonizada
Figura que me faz esquecer a minha condição
humana é a mulher. Dentre tantas obras da natureza, ela é a mais perfeita. De
todas as mulheres poderia falar, mas há uma, em especial, que prende meus olhos
e me rouba o coração. Seus cabelos castanhos e lisos, cortados na altura dos
ombros, parecem ser a fonte de sua beleza, que ladeiam um rosto de pele clara e
macia, fazendo o uso de maquiagem totalmente dispensável. O uso de qualquer
artificialidade, em rosto como obra de tanta naturalidade, prejudicaria o que
entendemos ser a essência da beleza feminina. Seus lábios assemelham-se a uma
caneta em espessura e poesia, ao escrever no ar as mais belas palavras,
adornadas por uma voz rosada. Ao sorrir, os dentes frontais superiores surgem alinhados,
da cor da branca como a do algodão presente nas almofadas que recosto minha
cabeça, proporcionando-me o mesmo conforto de seu sorriso. Ao centro do rosto,
seu nariz delicado como se tivesse sido esculpido no mais puro mármore pelo
mestre Michelangelo, concentra a harmonia de um rosto projetado para deleitar
qualquer criatura. Seus olhos, arredondados, me fazem girar sempre que me
atrevo a explorar seus mistérios, tal como sua simetria e sua cor castanha como
a de um tronco de Carvalho.
Ditos como a janela da alma por alguns poetas,
para mim são muito mais do que isso, principalmente quando os olhos são os
dela. É através destas janelas que eu enxergo o paraíso, um mundo que me faz
querer voar e nunca voltar mais ao chão, a não ser que seja com o propósito de
te devotar amor. Há quem creia que uso muito do meu tempo em função
descrevê-la, mas como pode um homem amar uma mulher sem que a tenha admiração
profunda ou que ao menos repare em seus traços? Se beijo sua boca, sinto seu
cheiro e olho em seus olhos, admirar tais partes são mais que uma obrigação.
O que falar ainda de seu corpo? Poderia gastar
muitas linhas da folha para descrever as linhas do seu corpo, partindo de seus
pés de porcelana, até seus peitos semelhantes a duas maçãs em tamanho. Descreveria
ainda melhor se pudesse discorrer meus lábios sobre cada centímetro quadrado da
sua pele irresistível. Entretanto, apenas pelas suas mãos já é possível
encontrar inspiração necessária para adornados adendos em um poema romântico. A
palma de sua mão é relativamente pequena, de onde partem dedos finos e
levemente compridos, finalizados por unhas bem feitas, protegidos por um
esmalte incolor, ou às vezes até um esmalte vermelho, revelando algo ainda mais
tentador a seu respeito. Tomo suas mãos como algo especial, pois é através
delas que posso sentir seu toque, seu amor, seu humor, seu calor.
De onde estou a vejo
sentada, com o cotovelo apoiado sobre mesa e a mão direita espalmada na lateral
do rosto. Sua mão esquerda dedica-se ao celular enquanto o corpo projeta-se
levemente para o lado. Sua boca parece expressar infelicidade, seus olhos,
preocupação. Tanta coisa poderia também interpretar pelo jeito em que ela se
encontra agora, mas atenho-me a mim, no único desejo que todo meu corpo e mente
expressam: a vontade de te amar.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Poema do Ar
Ela
é tão linda que dá vontade de chorar.
Chorar, pois sei que não atrairei seu olhar.
Não importa o que faça: sorrir ou cantar.
O que resta de meus olhos a ela senão admirar?
Talvez eu torne a te encontrar,
Para então poder te falar
Que todo aquele meu fitar
Era a vontade de te amar.
Nas rimas pobres a declamar
Não tenho muito a acrescentar.
Das tantas terminações iguais que pus-me a versar,
Constato que acabei com falta de 'ar'.
Chorar, pois sei que não atrairei seu olhar.
Não importa o que faça: sorrir ou cantar.
O que resta de meus olhos a ela senão admirar?
Talvez eu torne a te encontrar,
Para então poder te falar
Que todo aquele meu fitar
Era a vontade de te amar.
Nas rimas pobres a declamar
Não tenho muito a acrescentar.
Das tantas terminações iguais que pus-me a versar,
Constato que acabei com falta de 'ar'.
sábado, 20 de abril de 2013
Jantar de Devaneios
Enquanto te observava
atentamente, focando todos os teus traços e jeitos, minha mente se propunha a
criar um mundo totalmente diferente, uma vida em segundo plano, destacando meus
desejos. Tua boca, olhos e cabelos me remetiam à uma beleza plenamente
desenvolvida e sem dúvidas. Teu jeito, sabedoria e inteligência me
conquistavam, fazendo-me suspirar a cada palavra que saía dos teus lábios.
Fantasiava desde as coisas mais simples que uma criança pode imaginar até às
mais ardentes projeções. Tudo em ti era belo e me encantava. Da posição da qual
falavas eu era mero espectador. Minhas mãos ficam atadas à ética, mas minha
mente entregue às ilusões e a um mundo inexistente. Penso que trabalhar com os
anos seria a coisa mais propícia a se fazer, ainda assim não vejo grandes
expectativas.
Não absorvia uma palavra do teu discurso, pois minha mente ocupava-se criando algo além de um simples contato visual. Contato este que, ao ocorrer, era como uma injeção de adrenalina e uma de dopamina logo em seguida. De tantas injeções já estava anestesiado e meu corpo se debilitava cada vez mais. Entretanto, minha mente continuava a todo vapor produzindo fantasias. As ideias que circulavam pela minha massa cinzenta passavam pelo coração e transportavam um pouco de romantismo. Havia um estúdio de um filme de alto orçamento acima do meu pescoço.
Via a cena de uma cozinha americana em um dia cinzento. Próximo às 18 horas, no forno de aço inoxidável embutido em um móvel de cor escura, assava um salmão, cujo tempero foi à base de limões e ervas. Uma tábua de frios se dispunha sobre uma bancada com uma pedra de mármore verde musgo. O piso de madeira era brilhante e vistoso. Uma garrafa de vinho branco assentava-se próximo aos frios e esta estava suada, pois havia saído da adega em menos de 20 minutos. A garrafa estava aberta. Duas taças de cristal, também suadas do frescor da bebida, completavam a cena dos acessórios daquela cozinha. Talvez não os deva chamar de acessórios, já que foram decisivos ao desenrolar da cena. Os personagens principais da história, relaxadamente sentados em duas banquetas com estofamento de couro em cor grafite, degustavam o vinho e os frios enquanto o falavam de política, economia e história. O sistema de som deixava tudo ainda mais leve. Faixas de Kenny G; Carly Simon e Fleetwood Mac alternavam-se no shuffle do aparelho. Os dois, praticamente atirados um em cima do outro, conversavam com olhares bobos, mas palavras concretas, já sabendo do desfecho final e belo da história.
Levanto-me para conferir o Salmão e aproximo-me de ti antes de chegar ao forno. Encaixei meu queixo no teu ombro e murmurei no teu ouvido. Riste. Mordisquei a tua orelha e riste mais uma vez levando a tua macia mão até ali. O Salmão estava quase pronto. Desliguei o forno. Fui até a bancada, peguei minha taça de vinho e não sentei, apenas debrucei-me sobre o mármore. Foste até o forno para ver como estava o pescado. Fui atrás de ti, pé por pé, e te abracei pelas costas. Minhas mãos entrelaçaram-se sobre teu ventre e recostaste tua cabeça sobre meu ombro direito. Beijei-te no rosto e viraste para mim. Olhaste nos meus olhos e depois de um gole de vinho beijastes-me ternamente. Tiraste o peixe do forno e o comemos sobre a bancada, conversando e acabando com aquela garrafa de vinho.
Depois da refeição, dirigimo-nos à sala, cujas luzes eram de baixa intensidade devido aos abajures que adornavam o ambiente. Sentamos no sofá que nos abraçou instantaneamente. 'That's The Way I've Always Heard It Should Be' estava tocando no aparelho de som. Abraçamo-nos mais uma vez, só que com muito mais intensidade. Podíamos ouvir a respiração um do outro, não muito calma, nem ofegante. Nossas bocas se encaixaram enquanto teu corpo se projetava contra o meu. Minha mão direita firme espalmada nas tuas costas te dava a segurança que precisavas. As roupas pareciam abandonar nosso corpo com uma facilidade tremenda, não sentíamos tais movimentos, apenas as carícias das nossas mãos, um no outro, enquanto esta parte do ritual findava-se. Nossos corpos se uniram e mantínhamos um contato visual de uma forte paixão. Apenas as sobrancelhas e a boca expressavam o prazer, enquanto os olhos falavam 'eu te amo'.
O ápice do amor era realizado em minha mente enquanto te escutava falar sobre coisas aleatórias. O sonho acabou, a mente voltou ao seu mundo. O peixe queimou, o vinho esquentou, a conversa parou e o amor nem começou.
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