sábado, 19 de outubro de 2013

Mulher Platonizada






Figura que me faz esquecer a minha condição humana é a mulher. Dentre tantas obras da natureza, ela é a mais perfeita. De todas as mulheres poderia falar, mas há uma, em especial, que prende meus olhos e me rouba o coração. Seus cabelos castanhos e lisos, cortados na altura dos ombros, parecem ser a fonte de sua beleza, que ladeiam um rosto de pele clara e macia, fazendo o uso de maquiagem totalmente dispensável. O uso de qualquer artificialidade, em rosto como obra de tanta naturalidade, prejudicaria o que entendemos ser a essência da beleza feminina. Seus lábios assemelham-se a uma caneta em espessura e poesia, ao escrever no ar as mais belas palavras, adornadas por uma voz rosada. Ao sorrir, os dentes frontais superiores surgem alinhados, da cor da branca como a do algodão presente nas almofadas que recosto minha cabeça, proporcionando-me o mesmo conforto de seu sorriso. Ao centro do rosto, seu nariz delicado como se tivesse sido esculpido no mais puro mármore pelo mestre Michelangelo, concentra a harmonia de um rosto projetado para deleitar qualquer criatura. Seus olhos, arredondados, me fazem girar sempre que me atrevo a explorar seus mistérios, tal como sua simetria e sua cor castanha como a de um tronco de Carvalho.

Ditos como a janela da alma por alguns poetas, para mim são muito mais do que isso, principalmente quando os olhos são os dela. É através destas janelas que eu enxergo o paraíso, um mundo que me faz querer voar e nunca voltar mais ao chão, a não ser que seja com o propósito de te devotar amor. Há quem creia que uso muito do meu tempo em função descrevê-la, mas como pode um homem amar uma mulher sem que a tenha admiração profunda ou que ao menos repare em seus traços? Se beijo sua boca, sinto seu cheiro e olho em seus olhos, admirar tais partes são mais que uma obrigação.

O que falar ainda de seu corpo? Poderia gastar muitas linhas da folha para descrever as linhas do seu corpo, partindo de seus pés de porcelana, até seus peitos semelhantes a duas maçãs em tamanho. Descreveria ainda melhor se pudesse discorrer meus lábios sobre cada centímetro quadrado da sua pele irresistível. Entretanto, apenas pelas suas mãos já é possível encontrar inspiração necessária para adornados adendos em um poema romântico. A palma de sua mão é relativamente pequena, de onde partem dedos finos e levemente compridos, finalizados por unhas bem feitas, protegidos por um esmalte incolor, ou às vezes até um esmalte vermelho, revelando algo ainda mais tentador a seu respeito. Tomo suas mãos como algo especial, pois é através delas que posso sentir seu toque, seu amor, seu humor, seu calor.

De onde estou a vejo sentada, com o cotovelo apoiado sobre mesa e a mão direita espalmada na lateral do rosto. Sua mão esquerda dedica-se ao celular enquanto o corpo projeta-se levemente para o lado. Sua boca parece expressar infelicidade, seus olhos, preocupação. Tanta coisa poderia também interpretar pelo jeito em que ela se encontra agora, mas atenho-me a mim, no único desejo que todo meu corpo e mente expressam: a vontade de te amar.

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