quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Um Jeito de Amar



               
             Jamais pensei que pensaria em uma mulher assim. Jamais pensei que choraria como chorei. Jamais pensei que sofreria por um amor improvável. As nossas diferenças tão numerosas e as nossas escassas semelhanças. Nada afina-se à nossa relação, muito menos os meus pensamentos. Estilos, músicas, gestos e costumes incompatíveis formam o vale que nos separa. Engraçado é pensar que, por vezes, descemos de nossas belas montanhas até o meio desse vale, para saciar nossos desejos e vontades em comum. É lá que ficam nossas afinidades, beijos e abraços. O amor que sinto por ti é lindo, é aquele que me faz abdicar de minhas vontades só para vê-la feliz. O que me conforta é que desistir de viver um amor não é desistir de amar alguém, soa mais como ter um filme e não poder assisti-lo.
                
               Tuas pretensões opõem-se às minhas e nosso futuro será diferente. Temos vidas distintas e distantes,fisicamente. Nossas mentes, ao contrário, sempre estarão ligadas, e nossos corações, batendo em sincronia, mas com sangues diferentes. Porque amar não é grudar, possuir; amar é querer bem, é ver sorrisos nos olhos de outrem. Deve ser como a conexão entre a mãe e um filho; pura, respeitosa, inexorável, substancial, carinhosa, imensurável, leal e altruísta. Mas deve ter também um algo a mais, algo que arda, que apaixone.Um amor assim é valioso, eterno. Nem todos conseguem tê-lo, poucos, na realidade. Mas quando ele existe, é inesquecível, lembra-se ao ritmo de um relógio. Tais lembranças são ainda mais especiais pela noite, quando alguns sonhos se projetam num patamar entre a realidade e a fantasia. Por vezes, pode ser um sofrimento contente, pois é como um violino na mão de um talentoso músico: é sempre belo, mas pode expressar alegria ou tristeza. É uma melodia que tenho em minha vida, e aprecio.