Jamais pensei que pensaria em uma
mulher assim. Jamais pensei que choraria como chorei. Jamais pensei que
sofreria por um amor improvável. As nossas diferenças tão numerosas e as nossas
escassas semelhanças. Nada afina-se à nossa relação, muito menos os meus
pensamentos. Estilos, músicas, gestos e costumes incompatíveis formam o vale
que nos separa. Engraçado é pensar que, por vezes, descemos de nossas belas
montanhas até o meio desse vale, para saciar nossos desejos e vontades em
comum. É lá que ficam nossas afinidades, beijos e abraços. O amor que sinto por
ti é lindo, é aquele que me faz abdicar de minhas vontades só para vê-la feliz.
O que me conforta é que desistir de viver um amor não é desistir de amar
alguém, soa mais como ter um filme e não poder assisti-lo.
Tuas
pretensões opõem-se às minhas e nosso futuro será diferente. Temos vidas
distintas e distantes,fisicamente. Nossas mentes, ao contrário, sempre estarão
ligadas, e nossos corações, batendo em sincronia, mas com sangues diferentes.
Porque amar não é grudar, possuir; amar é querer bem, é ver sorrisos nos olhos
de outrem. Deve ser como a conexão entre a mãe e um filho; pura, respeitosa,
inexorável, substancial, carinhosa, imensurável, leal e altruísta. Mas deve ter
também um algo a mais, algo que arda, que apaixone.Um amor assim é valioso,
eterno. Nem todos conseguem tê-lo, poucos, na realidade. Mas quando ele existe,
é inesquecível, lembra-se ao ritmo de um relógio. Tais lembranças são ainda
mais especiais pela noite, quando alguns sonhos se projetam num patamar entre a
realidade e a fantasia. Por vezes, pode ser um sofrimento contente, pois é como
um violino na mão de um talentoso músico: é sempre belo, mas pode expressar
alegria ou tristeza. É uma melodia que tenho em minha vida, e aprecio.
