Vivemos na incerteza de um futuro certo.
Com o avanço rápido das tecnologias e as modificações
configurações sociais, assistimos, feito órfãos, às transformações intensas de
um mundo que renova-se.
A Internet apresenta-se como um instrumento poderoso de debate,
denúncia e fomentação de novas ideias, um campo livre, aberto.
As mídias tradicionais começam a ser questionadas pelo
que produzem ou trazem aos seus ouvintes, telespectadores e leitores.
Estamos construindo um mundo onde a intolerância não é
tolerada, onde as pessoas vivem numa paz fictícia, com um estresse interior que
ferve a todo momento.
Ao mesmo tempo em que a liberdade de certos meios nos
liberta, ela nos prende.
Ao mesmo tempo em que avançamos socialmente, somos reféns
do que então se torna retrógado devido a tal avanço.
Nos prendemos dentro de nossas casas, com sistemas de
segurança, fazemos o seguro do carro, de vida; deixamos de ir em determinados
lugares por nos sentirmos ameaçados.
Uma ameaça invisível nos ronda e paira sobre nossas mentes
o tempo todo.
Prendemo-nos fisicamente e mentalmente para defender-nos
de coisas e pessoas que deveriam estar presas.
Ou melhor, de pessoas que deveriam ter mudado sua vida ou
suas atitudes para estarem de acordo com as escrituras criadas por pessoas que
levam também sua vida na sinuosidade.
O que dizer sobre todos os padrões diferentes que
seguimos por termos uma ilusão de escolha?
Como seria se a vida fosse perfeita e se todos pudessem
balancear suas escolhas, pensamentos e atitudes?
O que seria o perfeito ou então o balanço ideal?
Questões e mais questões entulham a mente daqueles que
querem viver uma vida melhor, que querem entender o porquê das atitudes
libertinas de outrem.
Se não existe certo ou errado, existe a falta de respeito
e o excesso de liberdade.
Não é tão fácil viver em um mundo onde cabresto e
alienação tem o nome de moda, onde as tendências que existem são as do mercado.
Poucas são as pessoas que param pra pensar na origem de
tudo.
É fácil dizer que o dinheiro é a raiz de todos os problemas
e que o capitalismo é do mal.
Esquecem também que a discussão central do socialismo é
–sorrateiramente - o dinheiro?
Ser gordo era sinônimo de saúde e beleza, hoje, de
descuido e saúde debilitada.
Fumar era chique, fazia bem; hoje nem pensar, é coisa de
viciado, de gente fraca.
O ovo e o café estão sempre passando de mocinho à vilão e
vice-versa.
É incrível a capacidade do ser humano de atirar no
próprio pé.
Falando em atirar em si mesmo, a arma nem era pra isso.
Mas também somos maravilhosos, olha tudo que construímos,
as habilidades que temos pra construir, pensar, modificar, desenvolver.
O nosso único problema é o ego, ao pensar que somos os
maiorais do planeta e que podemos fazer qualquer coisa.
Os animais viviam aqui antes e se chegamos onde chegamos,
foi graças à eles, segundo Darwin.
Bem, se muitos não respeitam os próprios pais, como terão
respeito aos animais ou à natureza?
Descobrimos o quanto é bom voar como as aves ao fazer o
avião.
Também com as aves aprendemos a viver em comunidade, um
em cima do outro: olá apartamentos.
As aves também nos ensinaram a andar em bando; isso fica
claro quando ficamos enfileirados naquele congestionamento típico de verão.
Nos destruímos pra ter o que produzimos e depois tomamos
os remédios que fizemos para poder recuperar-nos: trabalho + viver + comprar =
estresse ÷
Rivotril = vida normal – ou não.
Que peculiar o lugar que construímos e vivemos.
Às vezes me sinto como se vivesse encenando uma peça.
Quanto mais estudamos, mais vemos que não sabemos nada.
Quanto mais trabalhamos pra ter, menos temos.
É difícil ser igualmente diferente.
Quase todos temos os mesmos objetivos de vida, mas com
perspectivas e gostos diferentes.
Isso torna tudo mais complicado e interessante.
É como se todos comecem batatas-fritas, só que com molhos
diferentes.
Sem contar a bebida: refrigerante, suco, álcool, água.
Não existe um melhor pra todo mundo, existe um melhor pra
cada um e esse melhor pode ser o pesadelo do outro.
De melhores e piores, é melhor eu parar com esse texto e
voltar a viver.
Viver?
Ah, digo, voltar com meus planos, objetivos, trabalhos,
estudos, vivências e todas aquelas outras coisas que me diferenciam dos outros,
assim como as suas diferenciam você de mim.
Mas ainda bem que somos diferentes, seria um saco viver
num mundo com todos iguais a mim ou a você.
Pensando bem, escrever é um prazer, algo que me faz bem.
Escrever é viver, mas pra você isso pode não ser uma
verdade.
Ok, acabei.