sábado, 2 de fevereiro de 2013

Fluxo de consciência: como vejo o mundo

Vivemos na incerteza de um futuro certo.
Com o avanço rápido das tecnologias e as modificações configurações sociais, assistimos, feito órfãos, às transformações intensas de um mundo que renova-se.
A Internet apresenta-se como um instrumento poderoso de debate, denúncia e fomentação de novas ideias, um campo livre, aberto.
As mídias tradicionais começam a ser questionadas pelo que produzem ou trazem aos seus ouvintes, telespectadores e leitores.
Estamos construindo um mundo onde a intolerância não é tolerada, onde as pessoas vivem numa paz fictícia, com um estresse interior que ferve a todo momento.
Ao mesmo tempo em que a liberdade de certos meios nos liberta, ela nos prende.
Ao mesmo tempo em que avançamos socialmente, somos reféns do que então se torna retrógado devido a tal avanço.
Nos prendemos dentro de nossas casas, com sistemas de segurança, fazemos o seguro do carro, de vida; deixamos de ir em determinados lugares por nos sentirmos ameaçados.
Uma ameaça invisível nos ronda e paira sobre nossas mentes o tempo todo.
Prendemo-nos fisicamente e mentalmente para defender-nos de coisas e pessoas que deveriam estar presas.
Ou melhor, de pessoas que deveriam ter mudado sua vida ou suas atitudes para estarem de acordo com as escrituras criadas por pessoas que levam também sua vida na sinuosidade.
O que dizer sobre todos os padrões diferentes que seguimos por termos uma ilusão de escolha?
Como seria se a vida fosse perfeita e se todos pudessem balancear suas escolhas, pensamentos e atitudes?
O que seria o perfeito ou então o balanço ideal?
Questões e mais questões entulham a mente daqueles que querem viver uma vida melhor, que querem entender o porquê das atitudes libertinas de outrem.
Se não existe certo ou errado, existe a falta de respeito e o excesso de liberdade.
Não é tão fácil viver em um mundo onde cabresto e alienação tem o nome de moda, onde as tendências que existem são as do mercado.
Poucas são as pessoas que param pra pensar na origem de tudo.
É fácil dizer que o dinheiro é a raiz de todos os problemas e que o capitalismo é do mal.
Esquecem também que a discussão central do socialismo é –sorrateiramente - o dinheiro?
Ser gordo era sinônimo de saúde e beleza, hoje, de descuido e saúde debilitada.
Fumar era chique, fazia bem; hoje nem pensar, é coisa de viciado, de gente fraca.
O ovo e o café estão sempre passando de mocinho à vilão e vice-versa.
É incrível a capacidade do ser humano de atirar no próprio pé.
Falando em atirar em si mesmo, a arma nem era pra isso.
Mas também somos maravilhosos, olha tudo que construímos, as habilidades que temos pra construir, pensar, modificar, desenvolver.
O nosso único problema é o ego, ao pensar que somos os maiorais do planeta e que podemos fazer qualquer coisa.
Os animais viviam aqui antes e se chegamos onde chegamos, foi graças à eles, segundo Darwin.
Bem, se muitos não respeitam os próprios pais, como terão respeito aos animais ou à natureza?
Descobrimos o quanto é bom voar como as aves ao fazer o avião.
Também com as aves aprendemos a viver em comunidade, um em cima do outro: olá apartamentos.
As aves também nos ensinaram a andar em bando; isso fica claro quando ficamos enfileirados naquele congestionamento típico de verão.
Nos destruímos pra ter o que produzimos e depois tomamos os remédios que fizemos para poder recuperar-nos: trabalho + viver + comprar = estresse ÷ Rivotril = vida normal – ou não.
Que peculiar o lugar que construímos e vivemos.
Às vezes me sinto como se vivesse encenando uma peça.
Quanto mais estudamos, mais vemos que não sabemos nada.
Quanto mais trabalhamos pra ter, menos temos.
É difícil ser igualmente diferente.
Quase todos temos os mesmos objetivos de vida, mas com perspectivas e gostos diferentes.
Isso torna tudo mais complicado e interessante.
É como se todos comecem batatas-fritas, só que com molhos diferentes.
Sem contar a bebida: refrigerante, suco, álcool, água.
Não existe um melhor pra todo mundo, existe um melhor pra cada um e esse melhor pode ser o pesadelo do outro.
De melhores e piores, é melhor eu parar com esse texto e voltar a viver.
Viver?
Ah, digo, voltar com meus planos, objetivos, trabalhos, estudos, vivências e todas aquelas outras coisas que me diferenciam dos outros, assim como as suas diferenciam você de mim.
Mas ainda bem que somos diferentes, seria um saco viver num mundo com todos iguais a mim ou a você.
Pensando bem, escrever é um prazer, algo que me faz bem.
Escrever é viver, mas pra você isso pode não ser uma verdade.
Ok, acabei.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Pequena homenagem aos mestres



                       

Professores são seres especiais. Escolher essa profissão não é pra qualquer um. Quando a decisão é tomada, inicia-se uma jornada por um mundo já visto antes, só que desta vez, com uma perspectiva diferente. Lembro dos meus anos iniciais de escola e de maioria dos professores que tive. Desde a época de recadinhos na agenda, nos quais o incentivo à aprendizagem era tão bem colocado. Da alfabetização, do aprender a ler as primeiras palavras em um quadro verde marcado pelo giz de várias cores. O que o professor dizia era, praticamente, uma verdade absoluta. Quanta confiança depositava neles. A escola era o lugar onde a paixão pelo conhecimento era desenvolvida e os professores eram seus difusores.
                 
Se hoje estou inclinado a seguir a profissão dos meus mestres, a culpa é deles. Me influenciaram muito. Se me perguntarem, consigo dizer o nome de todos os professores de inglês que tive até hoje. Em breve eu serei outro difusor e espero cumprir minha missão com muita competência, assim como comigo o fizeram.
               
 A valorização do professor deveria ser algo muito natural, um reconhecimento tão espontâneo quanto das tantas outras coisas a que damos um grande valor. Devido às adversidades, professores se tornaram heróis ao lecionar em ambientes limitados. Boa parte do que somos é devido à nossa educação, que remete à escola, que remete aos mestres.
                 
Neste curto e limitado texto, agradeço à todos os meus professores, que me ajudaram a chegar até aqui. Como ainda aluno e futuro professor, considero essa data muito especial. Que sirva mais do que homenagens, que sirva para reflexão sobre o papel dos educadores na vida de um cidadão, assim como seus devidos valores.
                 
Obrigado mestres! Parabéns a todos os professores!

terça-feira, 9 de outubro de 2012

'Amar' de Carlos Drummond de Andrade

Belíssimo trabalho de Carlos Drummond de Andrade declamado de uma maneira singular pelo ator Paulo José. Tremenda beleza em versos e declamação. Aprecie!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Os jardineiros e a natureza da amizade





Uma linda e frondosa floresta na Terra do Nunca foi derrubada. Os dois jardineiros que a cultivavam resolveram abandonar o lugar. Em um lugar onde o céu costumava ser claro, ensolarado e fresco, como um típico clima primaveril, agora é tempo de tempestade. As pequenas coisas que acontecem, até os poucos erros de comunicação, contribuíram para a destruição de algo tão belo, porém utópico.
                 
Não é qualquer um que consegue lidar com o amor em forma de avalanche, como algo grande que vem de repente. As árvores, os pomares, as bromélias, as orquídeas e tantas outras formas singelas de vida natural foram destruídas, arrasadas, por uma praga desconhecida. Não se conhece a origem de tal malefício, mas sabe que é de origem humana.
                
 Apesar de a vida ter sido praticamente dizimada, o solo ainda é fértil. Pode ser que em algum tempo, as aves migratórias no verão, semeiem este lugar, fazendo uma nova natureza germinar. O tempo, junto a um vento fresco e renovador, pode soprar naquele lugar e as nuvens carregadas que ali pairam sobre tal paraíso desconcertado, derramarão uma chuva intensa, que ajudará a exterminar o foco da malevolência, renovando tudo aquilo que já fora belo. Não se sabe quando isso vai acontecer, muito menos em qual estação. Talvez em tempos de primavera ou verão, quando o sol possa sorrir e finalizar o processo que a chuva começou. Talvez os jardineiros, mais maduros, resolvidos e com novas perspectivas, possam voltar a trabalharem juntos, compartilhando suas novas experiências. Talvez tanta semelhança os tenha desvirtuado, ou deslumbrado. Mas o tempo passa, as chuvas e o sol vão e vem. Tudo muda, tudo tem seus altos e baixos, nada é perfeito. Nem o amor.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Um Jeito de Amar



               
             Jamais pensei que pensaria em uma mulher assim. Jamais pensei que choraria como chorei. Jamais pensei que sofreria por um amor improvável. As nossas diferenças tão numerosas e as nossas escassas semelhanças. Nada afina-se à nossa relação, muito menos os meus pensamentos. Estilos, músicas, gestos e costumes incompatíveis formam o vale que nos separa. Engraçado é pensar que, por vezes, descemos de nossas belas montanhas até o meio desse vale, para saciar nossos desejos e vontades em comum. É lá que ficam nossas afinidades, beijos e abraços. O amor que sinto por ti é lindo, é aquele que me faz abdicar de minhas vontades só para vê-la feliz. O que me conforta é que desistir de viver um amor não é desistir de amar alguém, soa mais como ter um filme e não poder assisti-lo.
                
               Tuas pretensões opõem-se às minhas e nosso futuro será diferente. Temos vidas distintas e distantes,fisicamente. Nossas mentes, ao contrário, sempre estarão ligadas, e nossos corações, batendo em sincronia, mas com sangues diferentes. Porque amar não é grudar, possuir; amar é querer bem, é ver sorrisos nos olhos de outrem. Deve ser como a conexão entre a mãe e um filho; pura, respeitosa, inexorável, substancial, carinhosa, imensurável, leal e altruísta. Mas deve ter também um algo a mais, algo que arda, que apaixone.Um amor assim é valioso, eterno. Nem todos conseguem tê-lo, poucos, na realidade. Mas quando ele existe, é inesquecível, lembra-se ao ritmo de um relógio. Tais lembranças são ainda mais especiais pela noite, quando alguns sonhos se projetam num patamar entre a realidade e a fantasia. Por vezes, pode ser um sofrimento contente, pois é como um violino na mão de um talentoso músico: é sempre belo, mas pode expressar alegria ou tristeza. É uma melodia que tenho em minha vida, e aprecio.