Uma linda e frondosa floresta na
Terra do Nunca foi derrubada. Os dois jardineiros que a cultivavam resolveram
abandonar o lugar. Em um lugar onde o céu costumava ser claro, ensolarado e
fresco, como um típico clima primaveril, agora é tempo de tempestade. As
pequenas coisas que acontecem, até os poucos erros de comunicação, contribuíram
para a destruição de algo tão belo, porém utópico.
Não
é qualquer um que consegue lidar com o amor em forma de avalanche, como algo
grande que vem de repente. As árvores, os pomares, as bromélias, as orquídeas e
tantas outras formas singelas de vida natural foram destruídas, arrasadas, por
uma praga desconhecida. Não se conhece a origem de tal malefício, mas sabe que
é de origem humana.
Apesar
de a vida ter sido praticamente dizimada, o solo ainda é fértil. Pode ser que
em algum tempo, as aves migratórias no verão, semeiem este lugar, fazendo uma
nova natureza germinar. O tempo, junto a um vento fresco e renovador, pode
soprar naquele lugar e as nuvens carregadas que ali pairam sobre tal paraíso
desconcertado, derramarão uma chuva intensa, que ajudará a exterminar o foco da
malevolência, renovando tudo aquilo que já fora belo. Não se sabe quando isso
vai acontecer, muito menos em qual estação. Talvez em tempos de primavera ou
verão, quando o sol possa sorrir e finalizar o processo que a chuva começou.
Talvez os jardineiros, mais maduros, resolvidos e com novas perspectivas,
possam voltar a trabalharem juntos, compartilhando suas novas experiências.
Talvez tanta semelhança os tenha desvirtuado, ou deslumbrado. Mas o tempo passa,
as chuvas e o sol vão e vem. Tudo muda, tudo tem seus altos e baixos, nada é
perfeito. Nem o amor.

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